segunda-feira, 1 de março de 2010

Uma aula de juventude, hoje em dia!

Cláudio e Ana, entre 15 e 17, eram amigos inseparáveis, desses que a gente não vê mais hoje em dia, pelo menos não de sexos opostos (aliás, têm tantos sexos opostos hoje em dia que você nem sabe mais quem é oposto ao seu, quem gosta da mesma fruta que você, quem chupa o mesmo caroço que o seu, ou até mais do que isso). Era uma amizade linda, faziam de tudo juntos: barzinhos, restaurantes, pizzaria, viagens à praia, futebol, vôlei, até futevôlei, era uma bela amizade... eis que apareceu o Gláuber.
O Gláuber era o típico galã da nossa sociedade na cabeça de uma garota de 17: alto, marombado, olhos claros, cabelos loiros estrategicamente caindo nos olhos, surfista, fazia medicina, gostava de uma birita, tinha um belíssimo conversível e tinha 20 anos. Há de se salientar, aqui, que esse é o tipo de homem de 9 entre 10 mulheres, de 15, 17 ou 47, não importa. E a coitada da Ana, obviamente, se apaixonou perdidamente pelo 'Adonis'; e o coitado do Cláudio começou a ser deixado de lado.
No começo, até que foi fácil: ela só falava do rapaz, Cláudio só ouvia, dava sua opinião ('metia o pau' no rapaz, evidentemente), eles discutiam, virava uma dialética sem fim, e Aninha começou a emburrar, e entender. Cláudio começou a perceber que ela tava entendendo, e começou a dar de louco, agir com evasivas e tudo mais. Todos os dias, quando ela começava a falar do Gláuber, ele fazia cara de sonso, respondia com monossílabos e começava a falar das músicas da Pink e do Elton John, do clipe da Shakira com o Nadal, da roupa horrorosa que a Beyoncé usou no último VMA, e discursava sobre qualquer outra coisa que não o Gláuber (Aninha o irritava chamando o Gláuber de 'Gáu' - sim, já tinha apelido).
Até que, um dia, Aninha disse que Gáu tinha a adicionado no Orkut. Pronto! Aí, foi que o Cláudio emburrou mesmo, não quis saber da amiga o resto do dia, se debulhou em lágrimas em casa, pôs Fresno no último volume, se entupiu de chocolate, não quis mãe nem pai, só quis saber do seu pônei de pelúcia, e não respondeu nenhuma questão no formspring - a propósito, ficou com raiva do formspring, só havia perguntas do tipo: 'Quando você está sofrendo, qual música te satisfaz?'; 'Chocolate é bom pra te aliviar?'; 'Você mora perto do mercadinho do Joca?'.
Passados alguns dias sem conversar com Aninha, Cláudio olha para amiga e percebe que ela está chorando de se acabar, com mais olheiras que Tropeço quando fazia jornada dupla. Bateu-lhe o conhecidíssimo arrependimento, e foi ter com a (apesar de tudo) amiga. Quando Ana o vê, começa a chorar com mais intensidade, e aí quem entendeu foi Cláudio! Animado a ir confirmar suas expectativas, começa a conversar com Aninha, e ela confessa que adicionou Gláuber (não era mais Gáu) no MSN, conversaram durante muitos dias, mas ele não expressava nada e ela não queria se expôr demais, ir pra cima do rapaz. Até que, na conversa derradeira, ela confessou que estava apaixonada pelo rapaz e queria saber o que ele achava dela, da situação, afinal eles vinham se dando bem, conversando e tudo mais. Surpreendentemente, Gláuber respondeu que achava Aninha linda e tudo mais, mas que ele não gostava de mulher, se ela entendia o que ele quis dizer e se entendia o lado dele. É claro que ela disse que entendia, mas o mundo acabou, né? Aquele pedaço de mau caminho, aquela delícia, aquela escultura esculpida em Carrara, não podia ser possível. Cláudio, como bom amigo que sempre foi, ouviu tudo atentamente, disse que as coisas eram assim, nem tudo era perfeito, que ela ainda ia encontrar o príncipe certo da vida dela e tudo! E completou pedindo desculpas, dizendo que o fato de eles terem ficado sem se falar foi uma grande bobeira, que ele a amava e não fazia sentido eles ficarem longe um do outro. Se desculparam e conversaram normalmente, como sempre.
O diabo é que ela foi puxar sardinha pro Cláudio e dizer que ele também merecia a princesa dele, e ele, de bate-pronto, disse 'Príncipe Gáu, minha filha!'.

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