Essa semana me foi meio tenebrosa: muitas discussões sobre morte; lembranças da morte de um amigo que estava, como eu, começando a vida; o medo de minha mãe de perder meu pai, e sua explicação de que o sentimento de medo que ela sentia é diferente do meu; e a morte de mais um próximo. Tudo na mesma semana... e meu cérebro começou a trabalhar freneticamente, devaneando coisas que iam do conformismo ao absurdo, tudo com sua dose de razão.
Acontece que, desde que me entendo gente, não sou um cara muito bom para delegacia, hospital e velório. Acaba com minha alegria, meu dia, seja pro que for. Certa vez, fui na delegacia apenas para pegar minha autorização e poder fazer minha prova para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Sério, a nhaca da delegacia ficou comigo o resto do dia. E nem vou ficar aqui explanando sobre minhas peripécias em hospitais... E o que me mata (?) em velório é o fato de que me sinto completamente impotente, sem poder ajudar, sem poder fazer sorrir. Pois sou uma pessoa que gosta de rir, de fazer rir, contar piadas, deixar o clima mais leve, estar num clima leve, e num velório (diferente até da delegacia ou do hospital, por exemplo), não existe coisa mais chata que você estar sofrendo por alguém querido ali, e do outro lado da sala um babaca rindo de tudo, seja do café que parece chá, do wafer que assobia na sua boca, de tão mole, e coisas desse tipo. Confesso que costumo ser desses babacas, e por isso evito velórios, pois tenho um mínimo de respeito pelas pessoas, familiares e amigos, que ali se encontram.
Um dia, saberemos o significado de tudo isso, entenderemos o porque de todo esse sofrimento, olharemos uns para os outros e perguntaremos: ''Nossa! Porque não pensei nisso antes?''
Pra terminar, o provérbio mais frio, horrível e sincero que conheço:
''Para morrer, basta estar vivo.''

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